Rastreamento e manejo de contatos

O rastreamento de contatos é uma das ferramentas mais poderosas no controle da tuberculose (TB). Trata-se da identificação de pessoas que foram expostas a indivíduos com TB pulmonar ou laríngea, visando detectar precocemente novos casos da doença, além de identificar aqueles que estão em risco de desenvolver TB ativa.


Por que fazer o rastreamento de contatos?

A lógica por trás dessa abordagem é simples: quando um paciente com tuberculose é diagnosticado, ele pode ter infectado outras pessoas, principalmente os contatos próximos, como familiares ou colegas de trabalho. Estudo após estudo mostra que entre 3,5% e 5,5% dos contatos próximos a pacientes com tuberculose têm a doença já em estágio não diagnosticado. Identificar esses casos pode reduzir significativamente a transmissão da doença e prevenir que novos indivíduos se tornem doentes.

Além disso, o rastreamento permite identificar pessoas que acabaram de ser infectadas, e que apresentam risco elevado de evoluir para a forma ativa da tuberculose dentro de 2 a 5 anos após a infecção.


Como funciona o controle de contatos?

O controle de contatos é responsabilidade das equipes de saúde, geralmente na Atenção Básica, e deve ser realizado sempre que houver um caso identificado de TB, especialmente em pacientes que recebem acompanhamento em unidades de referência, como os casos de TB multirresistente (MDR) ou TB extremamente resistente (XDR).

A avaliação de contatos envolve a coleta de informações detalhadas sobre as pessoas que tiveram contato próximo com o paciente, considerando o risco de exposição, como o tempo de convívio, a proximidade e a natureza da doença do paciente índice.


Quem são os “Contatos”?

O termo “contato” se refere a qualquer pessoa que tenha sido exposta a um caso de tuberculose, independentemente da forma da doença do paciente (pulmonar, extrapulmonar ou miliar). Os contatos podem ser familiares, colegas de trabalho, pessoas que moram na mesma instituição de longa permanência ou até mesmo colegas de escola.

Em crianças, é fundamental identificar não só os casos de ILTB, mas também o caso fonte da infecção, ou seja, o indivíduo responsável por transmitir o bacilo, interrompendo a cadeia de transmissão.


Como priorizar a avaliação dos contatos?

Nem todos os contatos precisam ser avaliados da mesma forma. A prioridade para a investigação depende de fatores como idade, sintomas e condições de saúde. Os grupos de maior prioridade incluem:

  1. Pessoas com sintomas sugestivos de TB (tosse persistente, suores noturnos, febre);
  2. Crianças menores de 5 anos, especialmente aquelas expostas a adultos com TB pulmonar;
  3. Pessoas vivendo com HIV, devido ao risco elevado de progressão para a forma ativa da doença;
  4. Indivíduos com condições que comprometem o sistema imunológico (uso de medicamentos imunossupressores, doenças autoimunes, etc.);
  5. Contatos de pacientes com TB MDR ou XDR, que exigem uma avaliação mais rigorosa.

Quando realizar a avaliação de contatos?

A avaliação de contatos deve ser priorizada quando o paciente índice apresentar qualquer uma das seguintes condições:

  1. TB pulmonar ou laríngea com exame de escarro positivo (baciloscopia ou cultura);
  2. TB pulmonar com diagnóstico clínico, mesmo sem confirmação bacteriológica;
  3. TB extrapulmonar ou miliar, especialmente em crianças, ou PVHIV (pessoas vivendo com HIV) com formas não infectantes.

O que fazer durante a avaliação?

O processo de avaliação envolve três etapas principais: anamnese, exame físico e a realização de exames complementares. Dependendo dos sintomas e da exposição, os exames podem incluir:

  • Contatos sintomáticos (tosse, febre, suores noturnos): deverão fazer exames como baciloscopia de escarro, radiografia de tórax e outros exames de acordo com os sintomas.
  • Contatos assintomáticos: podem precisar de prova tuberculínica (PT) e radiografia de tórax. Se a prova for positiva, o tratamento de ILTB será indicado.
  • Contatos assintomáticos vivendo com HIV: esses indivíduos devem iniciar o tratamento para ILTB independentemente do resultado da prova tuberculínica.
  • Testagem de HIV para Contatos: A testagem para HIV é recomendada para todos os contatos sintomáticos ou assintomáticos. Isso é particularmente importante porque a coinfecção TB/HIV aumenta o risco de progressão para a forma ativa da doença.