Infecção Latente pelo M. tuberculosis (ILTB)
Você sabia que, se alguém for exposto ao Mycobacterium tuberculosis, tem 30% de chance de se infectar? A probabilidade depende de alguns fatores como o tempo de exposição, a proximidade com quem tem a doença e até as condições do ambiente.
Quando o bacilo entra no corpo, ele pode ficar “adormecido” por anos, sem causar problemas. É o que chamamos de Infecção Latente pelo M. tuberculosis (ILTB). A pessoa está infectada, mas não apresenta sintomas e não transmite a doença. Cerca de 1/4 da população mundial tem essa infecção latente, e muitos nem sabem disso!
Mas atenção: antes de sair dizendo que alguém tem ILTB, é preciso excluir a possibilidade de tuberculose ativa, por meio de exames e uma boa conversa (anamnese). Afinal, a tuberculose ativa apresenta sintomas e pode ser transmitida.
Como funciona a ILTB?
Quando uma pessoa é infectada com M. tuberculosis, seu sistema imunológico entra em ação para controlar os bacilos. Nessa fase, o organismo consegue impedir que a doença se desenvolva, mas os bacilos permanecem vivos no corpo, em um estado de “repouso”. Ou seja, a infecção não desaparece completamente, mas não há sintomas.
Com o tempo, esses bacilos podem ser reativados, especialmente se o sistema imunológico enfraquecer. Em geral, apenas uma pequena parte dos infectados acaba desenvolvendo a tuberculose ativa, principalmente nos primeiros dois anos após a infecção. No entanto, a reativação pode ocorrer muito depois, até décadas depois.
Quem tem mais risco de desenvolver a tuberculose ativa?
Alguns fatores aumentam o risco de uma pessoa com ILTB desenvolver a forma ativa da doença:
- Infecção pelo HIV: Quem tem HIV e não está bem controlado tem um risco muito maior de ativar a tuberculose.
- Idade: Crianças pequenas (menores de 2 anos) e idosos (acima de 60 anos) têm mais chances de adoecer.
- Doenças imunossupressoras: Quem faz tratamento imunossupressor ou tem doenças que enfraquecem a imunidade, como câncer, tem mais risco.
- Diabetes e desnutrição: Esses fatores também podem enfraquecer a resposta do sistema imunológico, facilitando a reativação da infecção.
Como diagnosticar e tratar a ILTB?
Embora muita gente tenha ILTB, não é necessário investigar toda a população. A investigação deve ser feita apenas em pessoas que têm risco de desenvolver a doença ou que podem se beneficiar de tratamento preventivo.
Quando investigar?
- Pessoas vivendo com HIV.
- Contactantes de pacientes com tuberculose ativa.
- Pacientes com doenças que diminuem a imunidade, como diabetes e doenças autoimunes.
- Indivíduos com lesões suspeitas na radiografia de tórax, mas que não têm sintomas.
A Prova Tuberculínica
O diagnóstico da Infecção Latente pelo M. tuberculosis (ILTB) pode ser feito com a prova tuberculínica (PT), um teste simples e eficaz para identificar a presença de infecção pelo bacilo da tuberculose. Esse teste é especialmente útil em crianças e adultos, ajudando a diferenciar entre a infecção latente e a tuberculose ativa.
Como funciona a prova tuberculínica?
A prova tuberculínica consiste na aplicação de uma pequena quantidade de derivado protéico purificado do M. tuberculosis na pele, por meio de uma injeção intradérmica. Esse composto contém proteínas do bacilo da tuberculose e vai estimular uma resposta do sistema imunológico. A ideia é observar a reação do organismo, especificamente o inchaço (induração) que se forma no local da aplicação.
- Resultado Positivo: Se houver uma reação maior ou igual a 5 mm de inchaço, o teste é considerado positivo, indicando que a pessoa tem infecção latente. No entanto, isso não significa que a pessoa tem a forma ativa da doença.
- Resultado Negativo: Se não houver reação ou a reação for menor que 5 mm, a infecção latente é improvável, mas isso também não descarta completamente a possibilidade de tuberculose ativa, especialmente em pessoas com sistemas imunológicos muito comprometidos.
Importante: A prova tuberculínica não diagnostica tuberculose ativa
Embora a prova tuberculínica seja útil para detectar ILTB, uma reação positiva sozinha não é suficiente para confirmar o diagnóstico de tuberculose ativa. Ou seja, uma pessoa com uma PT positiva pode estar com infecção latente e não necessariamente com a doença ativa. Portanto, é essencial realizar outros exames, como a radiografia de tórax e uma boa anamnese, para excluir a tuberculose ativa, especialmente se houver sintomas clínicos.
Quando não retestar?
A prova tuberculínica deve ser feita uma única vez para identificar casos de ILTB. Se a pessoa já tiver um histórico de PT com resultado ≥ 5 mm, não é necessário retestar, mesmo que haja uma nova exposição ao bacilo. Isso significa que, após um diagnóstico positivo, a pessoa permanece com a infecção latente registrada e não precisa repetir o teste.
A boa notícia é que, se a ILTB for diagnosticada, há tratamento! O mais comum é o uso de rifampicina e isoniazida, que ajudam a impedir que a infecção se desenvolva para a forma ativa.
