Tratamento da pneumonia

O tratamento da pneumonia é sempre um desafio, especialmente porque, na maioria das vezes, não sabemos a etiologia antes de começar a terapia. Por isso, a abordagem inicial é empírica, ajustando-se ao local de atendimento (ambulatorial, hospitalar ou UTI) e ao perfil do paciente.


Tratamento de pacientes ambulatoriais

Esses pacientes geralmente apresentam quadros menos graves e podem ser tratados em casa. Aqui, o foco é cobrir os patógenos mais comuns, como Streptococcus pneumoniae e patógenos atípicos (Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae).

Esquemas de escolha

  1. Macrolídeos:
  • Claritromicina: 500 mg VO, 2x/dia.
  • Azitromicina: 500 mg VO, dose única diária.
  • Doxiciclina: 100 mg VO, 2x/dia.
  1. Alternativa em pacientes idosos, com comorbidades ou que fez uso recente de antibióticos:
  • Combinação de betalactâmico (ex.: amoxicilina, 1g VO, 3x/dia ou amoxicilina/clavulanato, 2g VO, 2x/dia) + macrolídeo.

Atenção prática:

  • Evite fluoroquinolonas em pacientes sem comorbidades ou exposição prévia a antibióticos nos últimos 3 meses, devido ao risco de resistência.
  • Sempre avalie adesão ao tratamento e reavalie após 48-72 horas.

Tratamento de pacientes hospitalizados

Em pacientes internados, o risco de complicações aumenta, então o tratamento precisa ser mais amplo, mas ainda empírico, cobrindo os patógenos mais frequentes, até que o agente específico seja identificado.

Esquemas recomendados

  1. Fluoroquinolonas respiratórias (preferência inicial):
  • Levofloxacino: 750 mg/dia VO ou EV.
  • Moxifloxacino: 400 mg/dia VO ou EV.
  1. Alternativa com dupla terapia:
  • Betalactâmico (ex.: ceftriaxona 1-2g/dia EV ou ampicilina/sulbactam 1.5-3g EV, 4x/dia) + macrolídeo.

Tratamento de pacientes em UTI

Pacientes críticos exigem um manejo agressivo. Estudos mostram que a combinação de um betalactâmico com macrolídeo reduz a mortalidade nesses casos.

Esquema de escolha

  • Betalactâmico (ex.: ceftriaxona ou cefotaxima) + macrolídeo (azitromicina ou claritromicina).
  • Alternativamente, use fluoroquinolonas respiratórias.

Além disso, esses pacientes frequentemente precisam de suporte adicional:

  1. Oxigenioterapia: Para corrigir hipoxemia.
  2. Hidratação: Para manter a perfusão tecidual adequada.
  3. Ventilação mecânica: Em casos de insuficiência respiratória grave.

Dica prática:

  • Monitorize sinais vitais, gasometria arterial e resposta ao tratamento de perto.
  • Esteja atento para a possibilidade de complicações, como choque séptico ou falência multiorgânica.