Principais complicações do acesso venoso central

1. Pneumotórax

A punção jugular ou subclávia são as principais causas iatrogênicas de pneumotórax. A perfuração do pulmão durante a inserção do cateter pode levar ao acúmulo de ar na cavidade pleural, causando o colapso do pulmão.

Prevenção:

  • Utilizar sempre uma abordagem asséptica rigorosa.
  • Evitar a inserção em locais com anatomia difícil.
  • Considerar o uso de ultrassonografia para guiar a punção e evitar perfurações acidentais.

Conduta:

  • Realizar um raio-X de tórax imediato para confirmação do pneumotórax.
  • Se o pneumotórax for pequeno e assintomático, monitorar com oxigenoterapia e observação.
  • Para pneumotórax significativo ou sintomático, realizar descompressão com agulha ou inserir um dreno torácico.
  • Em casos graves, encaminhar para manejo cirúrgico.

2. Hemotórax

A inserção inadequada do cateter pode perfurar vasos sanguíneos, resultando em hemorragia na cavidade pleural, levando ao acúmulo de sangue (hemotórax).

Prevenção:

  • Evitar múltiplas tentativas de punção no mesmo local.
  • Utilizar a técnica de punção correta, preferencialmente com apoio ultrassonográfico.
  • Atestar a anatomia da região antes da punção.

Conduta:

  • Realizar uma radiografia torácica para confirmar a presença de hemotórax.
  • Se o hemotórax for pequeno, pode ser monitorado com observação e oxigenoterapia.
  • Hemotórax significativo pode necessitar de drenagem torácica.
  • Em casos graves, pode ser necessário o controle cirúrgico da hemorragia.

3. Arritmias

A introdução excessiva do fio guia nos acessos jugulares e subclávios pode irritar a parede do coração ou o sistema de condução cardíaco, levando à ocorrência de arritmias ventriculares.

Prevenção:

  • Introduzir o fio guia com cuidado, não ultrapassando 16 cm de inserção.
  • Monitorar o ritmo cardíaco durante o procedimento para detectar arritmias precocemente.
  • Utilizar a sedação adequada para minimizar o desconforto do paciente e reduzir a probabilidade de estímulos adversos.

Conduta:

  • Parar imediatamente a inserção do cateter.
  • Caso ocorra arritmia, administrar medicamentos antiarrítmicos conforme a orientação médica.
  • Se necessário, utilizar manobras de reanimação, como a desfibrilação, caso a arritmia seja grave.
  • Continuar o monitoramento cardíaco até a estabilização.

4. Quilotórax / Fístula Quilosa

Essa complicação ocorre principalmente durante a punção do ducto torácico do lado esquerdo, resultando no vazamento de linfa ou formação de um trajeto fistuloso. A laceração de vasos centrais também é uma das principais causas de óbito nesse contexto.

Prevenção:

  • Evitar o uso excessivo de força durante a passagem do fio guia.
  • Alterar a angulação da agulha ou realizar uma nova punção caso haja resistência.
  • Evitar punções no lado esquerdo em pacientes com risco aumentado de quilotórax.

Conduta:

  • Se houver resistência ao passar o fio guia, parar o procedimento e tentar uma nova punção com uma angulação diferente.
  • Se um quilotórax for diagnosticado, realizar drenagem pleural e monitorar o volume de linfa.
  • Caso o paciente tenha sintomas graves, como dificuldade respiratória, realizar um tratamento de suporte com drenagem torácica ou, em casos mais graves, encaminhar para cirurgia.

5. Infecção

Agentes causadores: Staphylococcus aureus coagulase-negativo, Enterococcus, bactérias Gram-negativas e Candida.

Prevenção:

  • Adotar técnica asséptica rigorosa durante a inserção do cateter.
  • Utilizar cateteres impregnados com antibióticos quando possível.
  • Realizar antissepsia com clorexidina na pele antes do procedimento.
  • Evitar inserção de cateteres na veia femoral.

Conduta:

  • Iniciar antibioticoterapia empírica com base nos patógenos mais comuns.
  • Remover o cateter infectado e enviar para cultura.
  • Ajustar o tratamento antibiótico conforme os resultados da cultura.

6. Trombose

A trombose venosa é uma complicação que ocorre quando há a formação de coágulos dentro da veia, dificultando a passagem do cateter ou comprometendo a perfusão do membro afetado.

Prevenção:

  • Limitar o número de punções no mesmo local.
  • Utilizar cateteres com diâmetro adequado para o calibre da veia.

Conduta:

  • Iniciar anticoagulação, se indicado.
  • Monitorar sinais de trombose e ajustar o tratamento conforme necessário.

7. Hematoma

O hematoma é o acúmulo de sangue no local da punção, podendo ocorrer devido à punção inadvertida de um vaso sanguíneo.

Prevenção:

  • Aplicar pressão no local da punção para evitar sangramentos.
  • Evitar múltiplas tentativas de punção no mesmo local.

Conduta:

  • Aplicar compressão no local do hematoma.
  • Monitorar o tamanho do hematoma e sinais de complicações.
  • Em caso de hematoma grande, realizar drenagem se necessário.

8. Embolia Gasosa

Quando há introdução de ar no sistema venoso, isso pode causar embolia gasosa, que pode ser fatal.

Prevenção:

  • Realizar o procedimento com o paciente em posição de Trendelenburg.
  • Utilizar conectores tipo Luer-Lok para evitar desconexões.
  • Garantir a estabilização do paciente antes do procedimento, evitando hipovolemia.

Conduta:

  • Posicionar o paciente em decúbito lateral esquerdo e Trendelenburg.
  • Monitorar sinais de embolia, como dispneia, dor torácica e hipotensão.
  • Iniciar oxigenoterapia e suporte ventilatório.
  • Em casos graves, considerar a administração de oxigênio hiperbárico.