Manifestações clínicas e diagnóstico da meningite

Reconhecer a meningite precocemente é uma habilidade essencial para qualquer profissional de saúde. Este guia foi elaborado para você identificar os sinais clínicos e realizar os exames necessários com agilidade e precisão, garantindo que as decisões terapêuticas sejam tomadas o mais cedo possível.


Manifestações clínicas

Apresentação geral

A meningite pode se manifestar de maneira aguda ou insidiosa, dependendo da causa. No entanto, febre, cefaleia e alteração do estado mental são as principais bandeiras vermelhas.

Sintomas centrais

  1. Febre: O sintoma mais frequente, geralmente alta e de início súbito.
  2. Cefaleia: Persistente e difusa, pode ser acompanhada de fotofobia e fonofobia.
  3. Rigidez de nuca: Indicativa de irritação meníngea, embora não seja obrigatória.
  4. Alteração do estado mental: Variando de confusão leve a coma em casos graves.

Manifestações por faixa etária

  • Neonatos e lactentes:
    • Irritabilidade, recusa alimentar, abaulamento de fontanela e hipotermia.
    • Rigidez de nuca é rara, dificultando o diagnóstico.
  • Crianças maiores e adultos:
    • Apresentam o quadro clássico de febre, cefaleia e rigidez de nuca.
  • Idosos e Imunossuprimidos:
    • Sintomas sutis, como letargia e febre baixa. Rigidez de nuca pode estar ausente.

Sinais semiológicos

A avaliação clínica é crucial para reforçar a suspeita de meningite. Aqui estão os sinais que você deve testar:

Sinal de Kernig

    • Como testar: Flexione a coxa sobre o quadril e tente estender o joelho.
    • Resultado positivo: Dor ou resistência durante a extensão do joelho.

    Sinal de Brudzinski

      • Como testar: Flexione a cabeça do paciente passivamente.
      • Resultado positivo: Flexão involuntária das pernas.

      Rigidez de nuca

        • Como testar: Tente fletir o pescoço do paciente enquanto ele está deitado.
        • Resultado positivo: Resistência ao movimento.

        Sinais de hipertensão intracraniana

          • Papiledema, vômitos em jato e cefaleia pulsátil.
          • Contraindicação para punção lombar imediata.

          Diagnóstico da meningite

          Passo 1: Avaliação inicial

          • Identifique os sinais cardinais: Febre, cefaleia, rigidez de nuca ou alteração mental.
          • Examine os sinais semiológicos: Use Kernig e Brudzinski para reforçar a suspeita.

          Passo 2: Exames laboratoriais

          Punção Lombar (PL)

            • O exame mais importante.
            • Contraindicações: Papiledema, déficit focal, sinais de hipertensão intracraniana.

            Parâmetros do LCR

              • Meningite bacteriana:
                • Pleocitose (>1000 células/μL, predominância de neutrófilos).
                • Proteínas elevadas (>2,2 g/L).
                • Glicose reduzida (<40 mg/dL ou relação glicose LCR/sérica <0,4).
              • Meningite viral:
                • Pleocitose moderada (linfócitos predominantes).
                • Proteínas normais ou ligeiramente elevadas.
                • Glicose normal.

              Passo 3: Imagem (se necessário)

              Quando realizar TC antes da PL?

              • Papiledema.
              • Déficit neurológico focal.
              • Convulsões recentes.
              • Paciente imunossuprimido.