Tratamento da Doença do Refluxo Gastroesofágico
Alterações no Estilo de Vida para Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)
Mudanças no estilo de vida costumam ser o primeiro passo no tratamento da DRGE e podem ser eficazes para muitas pessoas. Essas mudanças incluem:
- Dieta: Evitar alimentos que desencadeiam sintomas, como alimentos gordurosos, condimentados, cítricos, cafeína e álcool. Comer refeições menores e mais frequentes também pode ajudar.
- Perda de Peso: Se estiver acima do peso, perder peso pode aliviar a pressão no estômago e reduzir o refluxo ácido.
- Elevar a Cabeceira da Cama: Elevar a cabeceira da cama durante o sono pode impedir que o ácido do estômago reflua para o esôfago.
- Parar de Fumar: Fumar pode enfraquecer o esfíncter esofágico inferior (EEI), agravando os sintomas da DRGE.
Medicamentos Antiácidos
Medicamentos antiácidos, como os líquidos ou em comprimidos, podem aliviar temporariamente os sintomas da DRGE neutralizando o ácido do estômago. No entanto, eles não tratam a causa subjacente da DRGE e podem não ser suficientes para casos graves.
Inibidores da Bomba de Prótons (IBPs)
Para o tratamento inicial da DRGE, uma dose padrão de um IBP é geralmente recomendada. Por exemplo, omeprazol pode ser prescrito na dose de 20 mg uma vez ao dia e pantoprazol na dose de 40 mg uma vez ao dia.
Essas doses são eficazes para a cicatrização da esofagite erosiva e para o alívio dos sintomas em pacientes com DRGE. A duração do tratamento geralmente é de 4 a 8 semanas, mas pode ser prolongada em casos de esofagite grave ou se os sintomas persistirem.
Em pacientes com sintomas de DRGE refratários, apesar da terapia com IBP uma vez ao dia, a dose pode ser aumentada para duas vezes ao dia. Isso pode ser considerado após garantir a adesão adequada e o horário correto das doses de IBP, e após excluir outras causas potenciais dos sintomas.
Para terapia de manutenção, a dose de IBP pode ser ajustada para a dose efetiva mínima para controlar os sintomas. A terapia com IBP a longo prazo deve ser acompanhada por reavaliação periódica da necessidade de tratamento contínuo, considerando os riscos potenciais associados ao uso prolongado de IBP.
É importante observar que a escolha do IBP e o esquema de dosagem devem ser individualizados com base na resposta do paciente ao tratamento, na presença de doença erosiva e em outros fatores específicos do paciente.
Cirurgia Anti-refluxo
Em casos graves de DRGE que não respondem ao tratamento conservador ou quando a cirurgia é preferida, existem várias opções cirúrgicas disponíveis. A cirurgia antirrefluxo geralmente envolve a correção do esfíncter esofágico inferior (EEI) enfraquecido ou relaxado. Duas das abordagens cirúrgicas mais comuns são:
- Fundoplicatura: Nesta cirurgia, a parte superior do estômago é envolvida ao redor do esôfago, reforçando o EEI e evitando o refluxo ácido.
- LINX: O dispositivo LINX é um anel de esferas magnéticas implantado ao redor do EEI para ajudar a manter a válvula fechada, evitando o refluxo.
Tratamentos Endoscópicos
Além das opções de tratamento mencionadas, dois procedimentos endoscópicos menos invasivos ganharam destaque no tratamento da DRGE: Fundoplicatura Transoral sem Incisão (TIF) e Radiofrequência do Esfíncter Esofágico Inferior (Stretta).
Fundoplicatura Transoral sem Incisão (TIF)
A TIF é um procedimento minimamente invasivo que visa corrigir o refluxo gastroesofágico. Durante a TIF, um dispositivo endoscópico especial é inserido pela boca e posicionado no esôfago e no estômago. Este dispositivo permite ao médico criar dobras no tecido do esôfago e do estômago, envolvendo o esfíncter esofágico inferior (EEI) enfraquecido. Essas dobras ajudam a restaurar a função do EEI, impedindo o refluxo do ácido do estômago para o esôfago.
A TIF é uma opção menos invasiva em comparação com a cirurgia de fundoplicatura tradicional, oferecendo potencial alívio dos sintomas da DRGE sem incisões externas. É uma opção atraente para pacientes que desejam evitar cirurgias mais invasivas.
Radiofrequência do Esfíncter Esofágico Inferior (Stretta)
O procedimento de Radiofrequência do Esfíncter Esofágico Inferior (Stretta) é outra abordagem endoscópica para o tratamento da DRGE. Durante o Stretta, um cateter com um balão é inserido pela boca e posicionado no EEI. O balão é inflado e, em seguida, energia de radiofrequência controlada é emitida para aquecer e fortalecer o músculo do EEI.
A radiofrequência Stretta ajuda a melhorar a função do EEI enfraquecido, reduzindo a incidência de refluxo ácido. Este procedimento geralmente é realizado em regime ambulatorial e pode ser uma alternativa para pacientes que desejam evitar a cirurgia.
