Taquicardia supraventricular

A taquicardia supraventricular é um ritmo cardíaco rápido que se origina acima do feixe de His, ou seja, no átrio ou no nó atrioventricular. Ela geralmente apresenta um QRS estreito (<120ms) no eletrocardiograma, porque o estímulo elétrico percorre as vias normais de condução ventricular.

Causas mais comuns

  1. Reentrada nodal AV (a mais frequente em adultos jovens).
  2. Reentrada por via acessória (ex.: Síndrome de Wolff-Parkinson-White).
  3. Taquicardia atrial ectópica.

Reconhecendo a TSV no Eletrocardiograma

Passo a passo para identificar:

  1. Frequência cardíaca elevada: Normalmente entre 150-250 bpm.
  2. QRS estreito (<120ms): A principal característica.
  3. Ausência de onda P visível ou P retrógrada (invertida) logo após o QRS (especialmente na reentrada nodal).
  4. Regularidade: O ritmo é regular, como um metrônomo.

Dica Medspacy: Se o ritmo for rápido, regular e o QRS for estreito, pense em TSV. Em ritmos rápidos, as ondas P podem “sumir” porque estão escondidas no QRS.


Manejo Prático da TSV

Passo 1: O paciente está estável ou instável?

  1. Instável:
    • Sinais de choque, hipotensão severa, angina ou rebaixamento do nível de consciência?
    • Conduta: Cardioversão elétrica sincronizada imediata. Use 50-100J na primeira tentativa.
  2. Estável:
    • Paciente alerta, pressão arterial estável e sem sinais de hipoperfusão. Prossiga para o próximo passo.

Passo 2: Tente as manobras vagais

  • Estimule o nervo vago para desacelerar o nó AV. Opções:
    • Manobra de Valsalva modificada: Peça ao paciente para soprar forte contra uma seringa ou fazer força como se estivesse evacuando.

Dica Medspacy: As manobras vagais resolvem até 25% dos casos de TSV.


Passo 3: Administre adenosina

Se as manobras vagais falharem, a adenosina é o próximo passo:

  • Dose inicial: 6 mg em bolus IV rápido, seguido de 20 mL de solução salina.
  • Segunda dose (se necessário): 12 mg.

Importante: Avise o paciente sobre a sensação transitória de mal-estar (“parece que o coração parou”). É normal e passageiro.


Passo 4: Controle de frequência em caso de falha

Se a adenosina não funcionar ou houver contraindicações:

  • Betabloqueadores: Esmolol ou metoprolol.
  • Bloqueadores de canal de cálcio: Verapamil ou diltiazem.

Atenção: Use essas drogas com cautela em pacientes com disfunção ventricular ou hipotensão.


Passo 5: Investigação pós-conversão

Após converter o ritmo para sinusal, investigue:

  1. Presença de via acessória: Faça um ECG basal.
    • Síndrome de Wolff-Parkinson-White tem PR curto e onda delta.
  2. Condições precipitantes: Tire uma boa história!
    • Consumo de cafeína, álcool, drogas recreativas (especialmente cocaína), estresse emocional ou privação de sono.