Bloqueio atrioventricular de 1° grau

O BAV de 1° ocorre quando há um atraso na condução elétrica do impulso entre os átrios e os ventrículos, sem interrupção completa. Isso significa que todo estímulo atrial chega ao ventrículo, mas com um intervalo de tempo maior que o normal.

No ECG, o atraso é identificado como um aumento no intervalo PR, mas sem a perda de complexos QRS.


Critérios Diagnósticos no ECG

Os critérios para identificar o BAV de 1° são simples e diretos:

  1. Prolongamento do Intervalo PR
    • Maior que 200 ms (ou 0,2 segundos), equivalente a mais de 5 quadradinhos pequenos no papel do ECG.
  2. Ondas P Sinusais
    • Regulares e seguidas de complexos QRS, indicando condução preservada.
  3. QRS Normal
    • Geralmente estreito (< 120 ms), exceto se houver bloqueio intraventricular associado.
  4. Ritmo Regular
    • Sem pausas ou dissociações atrioventriculares.

Diferenciação do BAV de Outros Bloqueios

  • BAV de 2° Grau (Mobitz I e II): Alguns impulsos atriais não são conduzidos.
  • BAV de 3° Grau: Dissociação total entre átrios e ventrículos.

O BAV de 1° é caracterizado apenas pelo atraso, sem perda de condução.


Causas e Contextos Clínicos

As causas do BAV de 1° são variadas. Vamos direto às principais:

  1. Degenerativas
    • Envelhecimento, hipertensão crônica e diabetes mellitus são as causas mais frequentes, devido ao desgaste natural do sistema de condução.
  2. Infecciosas
    • Cardite de Lyme: Comum em áreas endêmicas e potencialmente reversível com antibióticos.
  3. Isquêmicas
    • Infarto do Miocárdio da Parede Inferior: Pode ser transitório e requer atenção imediata.
  4. Iatrogênicas
    • Medicamentos: Beta-bloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio e antiarrítmicos são causas comuns.
  5. Vagotônicas
    • Aumento do tônus vagal em atletas ou durante o sono pode causar bloqueio transitório.

Abordagem Prática

  1. Identifique no ECG
    • Confirme o prolongamento do intervalo PR em todas as derivações.
  2. Correlacione com a Clínica
    • Pacientes geralmente são assintomáticos.
    • Investigue sintomas como tontura, fadiga ou síncope, que podem indicar gravidade.
  3. Avalie as Causas
    • Pergunte sobre medicamentos.
    • Considere doenças cardíacas, infecciosas ou metabólicas subjacentes.
  4. Exames Complementares se Necessário
    • Ecocardiograma: Avaliação da função cardíaca.
    • Testes laboratoriais: Incluem eletrólitos e função tireoidiana.
    • Holter 24h: Para monitorar progressão ou variabilidade do bloqueio.
  5. Monitore
    • Assintomáticos com achados isolados requerem apenas acompanhamento clínico e eletrocardiográfico.

Quando se Preocupar?

Embora geralmente benigno, o BAV de 1° pode ser um sinal de:

  • Progressão para bloqueios mais graves (em cardiopatias estruturais).
  • Intervalos PR muito longos (> 300 ms).
  • Doenças isquêmicas ou inflamatórias associadas.

Conclusão

O BAV de Primeiro Grau é, na maioria das vezes, um achado benigno no ECG. O manejo clínico envolve identificar, correlacionar com sintomas e monitorar adequadamente. Sempre busque causas subjacentes que possam exigir intervenção.