Fibrilação ventricular

A FV é uma arritmia caótica, caracterizada por atividade elétrica desorganizada nos ventrículos, resultando na ausência de contração efetiva. É uma das principais causas de parada cardiorrespiratória (PCR) e, sem intervenção rápida, é fatal.
Por que ocorre?
- Cardiopatias estruturais: Pós-infarto é a causa mais comum.
- Distúrbios eletrolíticos: Hipocalemia, hipomagnesemia.
- Isquemia miocárdica.
- Sobrecarga cardíaca aguda: por exemplo, na insuficiência cardíaca descompensada.
Como identificar a Fibrilação Ventricular no ECH?
Características da Fibrilação Ventricular
- Ritmo caótico e irregular:
- Ausência de qualquer padrão de QRS, P ou T.
- Ondas elétricas desordenadas e de amplitudes variadas.
- Amplitude e frequência:
- FV fina: Ondas de baixa amplitude (<0,5 mV), mais difícil de reconhecer.
- FV grossa: Ondas maiores e mais fáceis de identificar, geralmente indicam início recente.
- Ausência de atividade organizada:
- Não há complexos QRS discerníveis, diferente de taquicardia ventricular.
- Desorganização total da linha de base:
- Linhas onduladas, sem qualquer regularidade.
Manejo Prático da Fibrilação Ventricular
A FV requer ação imediata. Cada segundo conta!
Passo a passo no plantão:
- Inicie RCP Imediatamente:
- Comprimir forte e rápido (frequência de 100-120/min).
- Garantir retorno total do tórax após cada compressão.
- 30 compressões × 2 ventilações.
- Desfibrilação Precoce:
- Realize um choque com desfibrilador (bifásico 120-200 J ou monofásico 360 J).
- Após o choque, retome imediatamente a RCP por 2 minutos antes de checar o ritmo novamente.
- Acesso Venoso e Medicamentos:
- Garanta acesso IV/IO rápido.
- Administre adrenalina 1 mg IV/IO a cada 3-5 minutos.
- Após o segundo choque, considere amiodarona:
- 300 mg IV em bolus (primeira dose).
- Se necessário, repetir com 150 mg.
- Corrija Causas Reversíveis (H’s e T’s):
- Hipóxia, hipovolemia, hipo/hipercalemia, hipotermia, tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo, TEP, toxinas, entre outros.
Fibrilação Ventricular Refratária
Se a FV persistir após 3 choques e medicamentos, continue com:
- RCP de alta qualidade.
- Verifique e corrija causas subjacentes.
Oxigenação e Ventilação:
- Ventilar a cada 6 segundos (10 ventilações/min) com oxigênio 100% após via aérea avançada.
Dica de Ouro no Plantão
Tempo é vida! Quanto mais cedo desfibrilar, maior a chance de retorno à circulação espontânea (RCE). Lembre-se:
- FV com duração prolongada tende a evoluir para FV fina ou assistolia.
- Monitorar a qualidade da RCP é essencial: compressões ininterruptas e eficazes salvam vidas.
