Bloqueio atrioventricular de 1° grau

O BAV de 1° ocorre quando há um atraso na condução elétrica do impulso entre os átrios e os ventrículos, sem interrupção completa. Isso significa que todo estímulo atrial chega ao ventrículo, mas com um intervalo de tempo maior que o normal.
No ECG, o atraso é identificado como um aumento no intervalo PR, mas sem a perda de complexos QRS.
Critérios Diagnósticos no ECG
Os critérios para identificar o BAV de 1° são simples e diretos:
- Prolongamento do Intervalo PR
- Maior que 200 ms (ou 0,2 segundos), equivalente a mais de 5 quadradinhos pequenos no papel do ECG.
- Ondas P Sinusais
- Regulares e seguidas de complexos QRS, indicando condução preservada.
- QRS Normal
- Geralmente estreito (< 120 ms), exceto se houver bloqueio intraventricular associado.
- Ritmo Regular
- Sem pausas ou dissociações atrioventriculares.
Diferenciação do BAV de Outros Bloqueios
- BAV de 2° Grau (Mobitz I e II): Alguns impulsos atriais não são conduzidos.
- BAV de 3° Grau: Dissociação total entre átrios e ventrículos.
O BAV de 1° é caracterizado apenas pelo atraso, sem perda de condução.
Causas e Contextos Clínicos
As causas do BAV de 1° são variadas. Vamos direto às principais:
- Degenerativas
- Envelhecimento, hipertensão crônica e diabetes mellitus são as causas mais frequentes, devido ao desgaste natural do sistema de condução.
- Infecciosas
- Cardite de Lyme: Comum em áreas endêmicas e potencialmente reversível com antibióticos.
- Isquêmicas
- Infarto do Miocárdio da Parede Inferior: Pode ser transitório e requer atenção imediata.
- Iatrogênicas
- Medicamentos: Beta-bloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio e antiarrítmicos são causas comuns.
- Vagotônicas
- Aumento do tônus vagal em atletas ou durante o sono pode causar bloqueio transitório.
Abordagem Prática
- Identifique no ECG
- Confirme o prolongamento do intervalo PR em todas as derivações.
- Correlacione com a Clínica
- Pacientes geralmente são assintomáticos.
- Investigue sintomas como tontura, fadiga ou síncope, que podem indicar gravidade.
- Avalie as Causas
- Pergunte sobre medicamentos.
- Considere doenças cardíacas, infecciosas ou metabólicas subjacentes.
- Exames Complementares se Necessário
- Ecocardiograma: Avaliação da função cardíaca.
- Testes laboratoriais: Incluem eletrólitos e função tireoidiana.
- Holter 24h: Para monitorar progressão ou variabilidade do bloqueio.
- Monitore
- Assintomáticos com achados isolados requerem apenas acompanhamento clínico e eletrocardiográfico.
Quando se Preocupar?
Embora geralmente benigno, o BAV de 1° pode ser um sinal de:
- Progressão para bloqueios mais graves (em cardiopatias estruturais).
- Intervalos PR muito longos (> 300 ms).
- Doenças isquêmicas ou inflamatórias associadas.
Conclusão
O BAV de Primeiro Grau é, na maioria das vezes, um achado benigno no ECG. O manejo clínico envolve identificar, correlacionar com sintomas e monitorar adequadamente. Sempre busque causas subjacentes que possam exigir intervenção.
