Vaginose bacteriana
A Vaginose Bacteriana é um desequilíbrio da flora vaginal, onde os lactobacilos (os “guardiões da vagina”) perdem o posto, abrindo espaço para um festival de anaeróbios oportunistas, como Gardnerella vaginalis e amigos (Prevotella, Mobiluncus, etc.). O resultado? Um ambiente mais alcalino e cheio de sintomas característicos.
Sinais e Sintomas
Para identificar a VB no dia a dia, basta procurar por:
- Corrimento branco-acinzentado fino: O cartão de visitas da VB.
- Odor de peixe podre: Clássico, especialmente após o sexo (culpa das aminas voláteis).
- Prurido ou ardência: Nem sempre, mas pode estar presente.
Prático, né? Mas lembre-se: muitas vezes, a paciente pode ser assintomática.
Diagnóstico
Quer brilhar no ambulatório? Memorize os critérios de Amsel:
- pH vaginal > 4,5: Ambiente mais alcalino.
- Teste das aminas positivo: Misture o corrimento com KOH 10% e sinta o aroma (alerta: prepare-se!).
- Presença de clue cells: As células epiteliais “salpicadas” de bactérias vistas na microscopia.
- Corrimento característico: Fino, homogêneo e cinza-esbranquiçado.
3 ou mais desses critérios = VB.
Se você prefere uma abordagem mais “hardcore”, o Índice de Nugent é o seu amigo.
Tratamento
A VB pode ser traiçoeira, mas temos armas confiáveis:
- Metronidazol 500 mg VO, 12/12h por 7 dias: O padrão ouro (além de amigo da carteira).
- Clindamicina creme vaginal 2%, 1x/dia por 7 dias: Alternativa para quem não quer o sabor metálico do metronidazol.
Dicas práticas:
- Oriente a paciente sobre os efeitos adversos: gosto metálico (metronidazol) e irritação local (clindamicina).
- Evite álcool durante o uso de metronidazol (efeito antabuse é real!).
VB na Gravidez: O Elefante na Sala
A VB na gravidez aumenta o risco de complicações como parto prematuro e corioamnionite. Portanto, não economize na investigação e no tratamento.
- Tratamento: Mesmo esquema do metronidazol ou clindamicina (com segurança para a gestante).
Reincidência
Até 50% das pacientes podem apresentar recorrência em 6-12 meses. Nessas situações:
- Terapia de manutenção: Metronidazol gel 2x/semana por 4-6 meses.
- Avalie hábitos: Evitar duchas vaginais e produtos irritantes.
E o Parceiro?
A VB não é uma IST, então tratar o parceiro geralmente não é necessário (exceto em casos de reinfecções persistentes).
